{"id":72,"date":"2023-06-13T10:07:23","date_gmt":"2023-06-13T13:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/?p=72"},"modified":"2023-06-13T10:23:50","modified_gmt":"2023-06-13T13:23:50","slug":"como-avancar-em-diversidade-e-inclusao-nas-organizacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/?p=72","title":{"rendered":"Como avan\u00e7ar em diversidade e inclus\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>A sociedade e as empresas devem investir em espa\u00e7os acolhedores e de di\u00e1logo<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"585\" src=\"https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06-1024x585.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-73\" srcset=\"https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06-1024x585.png 1024w, https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06-300x172.png 300w, https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06-768x439.png 768w, https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06-1536x878.png 1536w, https:\/\/reschrh.com.br\/publicacoes\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Thumb_blog_8-06.png 1751w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Abra\u00e7ar a diversidade nas empresas \u00e9 um processo que requer inten\u00e7\u00e3o, mas que vai muito al\u00e9m disso. Precisa ser constru\u00eddo por muitas m\u00e3os e requer uma postura de aprendizagem da parte de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vern\u00e3 Myers, vice-presidente de estrat\u00e9gia de inclus\u00e3o na Netflix, disse: \u201cDiversidade \u00e9 convidar para a festa, inclus\u00e3o \u00e9 chamar para dan\u00e7ar\u201d, mas a frase em si incomoda porque revela ainda uma assimetria. Pense comigo: se apenas um grupo de pessoas escolhe a m\u00fasica, o local, os convidados, a dan\u00e7a e os respectivos pares, a inclus\u00e3o pode ficar um pouco de fora da festa. Seguindo essa analogia, a realidade na maioria das empresas \u00e9 que os grupos dominantes t\u00eam a prerrogativa de chamar para a dan\u00e7a enquanto aos demais caberia aguardar um convite para o bailado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na dan\u00e7a, assim como na cultura de uma organiza\u00e7\u00e3o, a harmonia \u00e9 crucial. \u00c9 necess\u00e1rio observar o nosso ritmo e o do outro ao movimentar o corpo, para alcan\u00e7ar o entrosamento que torna a dan\u00e7a coordenada e prazerosa. Ainda que, em teoria, isso possa ser divertido, na pr\u00e1tica, n\u00e3o escapamos todos de uns bons encontr\u00f5es e pis\u00f5es at\u00e9 acertar. O motivo disso \u00e9 que nem todos possuem o mesmo ritmo e tiveram as mesmas experi\u00eancias para usar os mesmos passos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhar para si e olhar para o outro<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica presente nos(as) melhores bailarino(as) \u00e9 a consci\u00eancia que se tem do pr\u00f3prio corpo. Na vida profissional tamb\u00e9m \u00e9 assim. O autoconhecimento \u00e9 necess\u00e1rio e \u00e9 produto de uma an\u00e1lise profunda de si. Entretanto, a dan\u00e7a em uma organiza\u00e7\u00e3o e na sociedade, como j\u00e1 falamos, n\u00e3o \u00e9 um solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 uma tela em branco. Somos frutos de milhares de experi\u00eancias que v\u00e3o construindo nossa identidade. As marcas deixadas pelas viv\u00eancias di\u00e1rias determinam o jeito de ver o mundo, a interpreta\u00e7\u00e3o da realidade e, portanto, as escolhas e atitudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Chimamanda Ngozi Adichie, premiada escritora nigeriana, explica como vamos formando uma vis\u00e3o de mundo limitada que n\u00e3o d\u00e1 conta da multiplicidade de narrativas. Em seu texto \u201cO perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica\u201d, provoca o leitor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00f3s t\u00ednhamos, como era normal, empregada dom\u00e9stica, que frequentemente vinha das aldeias rurais pr\u00f3ximas. Quando eu fiz oito anos, arranjamos um novo menino para a casa. Seu nome era Fide. A \u00fanica coisa que minha m\u00e3e nos disse sobre ele foi que sua fam\u00edlia era muito pobre. \/<a href=\"https:\/\/www.revistahsm.com.br\/post\/como-avancar-em-diversidade-e-inclusao-nas-organizacoes\">&#8230;\/<\/a>&nbsp;eu sentia uma enorme pena da fam\u00edlia de Fide. Ent\u00e3o, num s\u00e1bado, n\u00f3s fomos visitar a sua aldeia e sua m\u00e3e nos mostrou um cesto com um padr\u00e3o lindo, feito de r\u00e1fia seca por seu irm\u00e3o. Eu fiquei at\u00f4nita! \/<a href=\"https:\/\/www.revistahsm.com.br\/post\/como-avancar-em-diversidade-e-inclusao-nas-organizacoes\">&#8230;\/<\/a>&nbsp;havia se tornado imposs\u00edvel, pra mim, v\u00ea-los como alguma coisa al\u00e9m de \u2018pobres\u2019. Sua pobreza era minha \u00fanica hist\u00f3ria sobre eles.\u201d (trecho de \u201cO perigo de uma hist\u00f3ria \u00fanica\u201d, de Chimamanda Ngozi Adichie)<\/p>\n\n\n\n<p>Chimamanda reconhece com perplexidade como estava formando uma vis\u00e3o \u00fanica sobre a fam\u00edlia de Fide. Muitas vezes incorremos nestas generaliza\u00e7\u00f5es, sem nos darmos conta e passamos a interpretar o presente com base no que aprendemos e vivemos, ainda que esta interpreta\u00e7\u00e3o possa contrariar a l\u00f3gica do que est\u00e1 acontecendo no contexto atual. Isso acontece porque agimos e nos posicionamos com base em conceitos internalizados, passamos a fazer associa\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas. Ou seja, nosso jeito de ver as coisas tem um vi\u00e9s, mecanismo que \u00e9 chamado de vi\u00e9s inconsciente, vi\u00e9s cognitivo ou ainda preconceito impl\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 com bagagens repletas de experi\u00eancias pr\u00e9vias que chegamos \u00e0 festa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como acertar o passo?<\/h2>\n\n\n\n<p>Algumas organiza\u00e7\u00f5es que adotaram o ESG (ambiental, social e governan\u00e7a, em portugu\u00eas) como pilar de gest\u00e3o, com pol\u00edticas e pr\u00e1ticas para favorecer a diversidade e inclus\u00e3o, oferecem aos seus colaboradores treinamento em vi\u00e9s inconsciente. Esta \u00e9 uma pr\u00e1tica que deve ser aplaudida, mas n\u00e3o impede que se erre, j\u00e1 que as cren\u00e7as est\u00e3o arraigadas. E como n\u00e3o foram constru\u00eddas num estalar de dedos, a desconstru\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 r\u00e1pida. O processo \u00e9 dif\u00edcil, cont\u00ednuo e trabalhoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos todos em modus aprendizado!<\/p>\n\n\n\n<p>Uma forma de aprender \u00e9 colocar nossas convic\u00e7\u00f5es em cheque. O preconceito \u00e9 algo que, em algum momento, aprendemos e assimilamos. \u00c9 na decis\u00e3o de furar nossas bolhas, de conviver com pessoas, grupos e ideias diversas que reside a possibilidade de abertura. Uma busca nada f\u00e1cil, j\u00e1 que o di\u00e1logo pressup\u00f5e lidar com a tens\u00e3o das diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, se voc\u00ea quer aprender a apreciar a multiplicidade, \u00e9 preciso preparar-se para o estranhamento e para os inc\u00f4modos, afinal \u00e9 um mundo novo que se apresenta e perspectivas que contrariam a nossa maneira habitual de ver a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00ea uma folga ao julgamento. Sim, todos n\u00f3s julgamos. Com isso, estou sugerindo apenas dar um tempo. Convoque sua curiosidade e respeito, como se estivesse se preparando para uma viagem a um pa\u00eds com h\u00e1bitos e costumes bem diferentes dos seus. Deixe que a curiosidade seja sua aliada e seu guia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que ser\u00e1 que ele pensa e vive assim? Como chegou nesta ideia? Que viv\u00eancias levaram a estas formula\u00e7\u00f5es? Porque me causa tanto estranhamento a sua forma de pensar e viver?<\/p>\n\n\n\n<p>Veja bem, n\u00e3o h\u00e1 respostas exatas, mas esta aproxima\u00e7\u00e3o pode ajudar a entender melhor os diferentes pontos de vista, legitimando a hist\u00f3ria de cada um e fornecendo recursos para construir rela\u00e7\u00f5es mais dial\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca genu\u00edna para transformar a realidade e garantir diversidade nas organiza\u00e7\u00f5es, dan\u00e7amos ainda aos trope\u00e7os. Deslizes acontecem e, sem nem perceber, l\u00e1 estamos n\u00f3s empregando express\u00f5es ou reproduzindo atitudes que denunciam nossos preconceitos. N\u00e3o somos preconceituosos porque somos pessoas ruins, mas porque aprendemos a compreender o mundo de determinada maneira. Nossos preconceitos s\u00e3o, na realidade, nossas pr\u00e9-compreens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Responsabilidade relacional<\/h2>\n\n\n\n<p>Na busca de acertar o passo, aqueles que erram devem reconhecer, se desculpar e manifestar desejo genu\u00edno de aprender e reparar. Os que s\u00e3o injusti\u00e7ados com estes equ\u00edvocos t\u00eam o papel de denunciar, mas tamb\u00e9m esclarecer e educar. Quando a den\u00fancia se faz pela agress\u00e3o e quem erra se sente atacado, a dist\u00e2ncia tende a se estabelecer e os pontos de vista a se polarizar. E, infelizmente, muitas vezes essa ainda \u00e9 a resposta \u00e0queles que erram o passo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sheila McNamee, Ph.D e professora em\u00e9rita de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade de New Hampshire, diz que \u00e9 preciso mover-se de uma perspectiva individual para uma no\u00e7\u00e3o de responsabilidade relacional. \u201cN\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, n\u00e3o sou eu, \u00e9 o que estamos fazendo juntos. N\u00f3s juntos somos respons\u00e1veis pelo que estamos criando\u201d, diz ela, e chama isso de responsabilidade relacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial que a sociedade e as organiza\u00e7\u00f5es insistam e invistam na cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de di\u00e1logo, espa\u00e7os estes que devem existir nas empresas para que se possa conversar abertamente sobre as situa\u00e7\u00f5es conflitivas dentro e fora delas. Somente assim podemos construir com o outro pr\u00e1ticas que valorizem a diversidade na organiza\u00e7\u00e3o e na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhemos todos para ter festas abertas para quem quiser chegar!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Jacqueline Resch<\/strong><br>Jacqueline Resch \u00e9 consultora e s\u00f3cia-diretora da RESCH RH. \u00c9 graduada em psicologia pela PUC-Rio, tem MBA pela COPPEAD (UFRJ). Nos \u00faltimos seis anos vem se dedicando ao estudo do di\u00e1logo, tendo obtido a certifica\u00e7\u00e3o em Pr\u00e1ticas de Colabora\u00e7\u00e3o e Di\u00e1logo pelo Taos Institute (EUA) e cursado a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em perspectiva e pr\u00e1tica profissional generativa pela Universidade de Manizales (Col\u00f4mbia).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sociedade e as empresas devem investir em espa\u00e7os acolhedores e de di\u00e1logo Abra\u00e7ar a diversidade nas empresas \u00e9 um processo que requer inten\u00e7\u00e3o, mas que vai muito al\u00e9m disso. Precisa ser constru\u00eddo por muitas m\u00e3os e requer uma postura de aprendizagem da parte de todos. 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